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Superclásico (Argentina)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 Nota: Este artigo é sobre a rivalidade do futebol argentino. Para outros significados, veja Superclásico.
Superclásico
Superclásico (Argentina)
Roberto Mouzo (Boca) e Ramón Díaz (River) durante um Superclásico em 1981
Dados gerais
Localização Buenos Aires, Argentina
Equipes Boca Juniors
River Plate
Estádios La Bombonera (Boca)
Monumental (River)
Estatísticas
Total de confrontos 263 (oficiais)
Total de vitórias Boca Juniors: 92
River Plate: 87
Empates: 84
Mais aparições Reinaldo Merlo (42)
Maior goleada Boca Juniors 6–0 River Plate
Campeonato Argentino
23 de dezembro de 1928[1]
Dados históricos
Primeiro confronto 24 de agosto de 1913[2]
Campeonato Argentino
River Plate 2–1 Boca Juniors
Último confronto 21 de setembro de 2024
Campeonato Argentino
Boca Juniors 0–1 River Plate

O Superclásico é como são chamadas as partidas entre Boca Juniors e River Plate, dois dos maiores clubes do futebol argentino, ambos sediados em Buenos Aires. São os clubes que mais vezes conquistaram o Campeonato Argentino e possuem as duas maiores torcidas do país. De acordo com algumas estatísticas, eles comandam mais de 70% de todos os fãs de futebol argentinos entre eles.[3]

O Superclásico é conhecido como um dos dérbis mais ferozes e importantes do mundo.[4] Em 2016, a revista de futebol britânica FourFourTwo considerou o confronto como "o maior dérbi do mundo".[5] No mesmo ano, o The Daily Telegraph classificou essa partida como "a maior rivalidade entre clubes de futebol do mundo",[6] e o Daily Mirror colocou como primeiro em sua lista de 50 maiores dérbis de futebol do mundo.[7]

Capa da revista esportiva argentina El Gráfico, de 1962, que mostra uma foto de Luis Artime marcando um gol na vitória do River Plate no Superclásico contra o Boca Juniors por 3 a 1

As rivalidades de Buenos Aires costumam surgir pela proximidade entre dois clubes; alguns pertencem ao mesmo bairro ou são de bairros vizinhos. A rixa entre boquenses e riverplatenses surgiu assim, com os dois lutando pelo valor de melhor representante do bairro de La Boca, onde ambos foram fundados. O River, depois de alguns anos, necessitou mudar de casa, até fixar-se em Belgrano na década de 1920.

Apesar da grande distância que separa os dois bairros (Belgrano encontra-se ao norte da capital e La Boca, ao sul), o fato só acirrou a rivalidade: os moradores de La Boca, um bairro humilde e operário, não perdoaram o fato de o River ter se mudado para um bairro nobre, sendo adotado pela alta sociedade portenha. A disputa, então, passou a ganhar contornos de "povo versus elite", o que ainda se mantém, apesar de os dois clubes terem se difundido bastante entre todos os segmentos sociais.

O River Plate é o primeiro colocado do ranking de pontos da Libertadores e o Boca Juniors, o segundo. Em conquistas da Libertadores, o Boca tem seis títulos, e o River, quatro.

Em títulos mundiais, a vantagem xeneize é de três conquistas contra um do rival, que tem melhor retrospecto no campeonato nacional: venceu 38 vezes o campeonato argentino, 3 a mais que o Boca. Em confrontos direto, os auriazuis têm 91 vitórias, contra 86 dos alvirrubros.

Libertadores 2018

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A final da edição da Copa Libertadores de 2018 foi considerada a maior de todos os tempos da história do torneio e também da história do clássico. No primeiro jogo em La Bombonera, em um jogo bastante disputado e com chances desperdiçadas para os dois lados, a partida terminou com o placar de 2-2. A grande decisão estava marcada para o dia 24 de Novembro no Estádio Monumental de Nuñez.

Mas a segunda partida da grande final da Libertadores acabou sendo adiada para o dia 25 de Novembro, devido à violência extrema dos torcedores do River Plate que apedrejaram o ônibus que transportava os jogadores do Boca Juniors, deixando vários jogadores lesionados, tendo como caso mais grave o capitão do Boca Juniors Pablo Perez, que, com estilhaços de vidro no olho esquerdo, teve de ser levado com urgência para um hospital em Buenos Aires. Também foi atirado gás pimenta no ônibus da equipe, deixando alguns jogadores do Boca Juniors indispostos. Com estes fatores, a CONMEBOL resolveu acatar o que disse o presidente do Boca Juniors e adiar a partida para o dia seguinte .

O jogo acabou sendo mais uma vez adiado, desta vez para o dia 27 de novembro. Os presidentes de ambos clubes se reuniram na CONMEBOL e decidiram realizar o jogo fora da Argentina, e a entidade decidiu que o jogo seria disputado no Santiago Bernabéu, em Madrid, na capital da Espanha, no dia 9 de dezembro as 17h30 (Brasília). O River Plate protestou e publicou um comunicado informando que não considerou a decisão tomada pela entidade, uma vez que ela desnaturaliza a competência, prejudica quem comprou ingresso e afeta a igualdade de condições. O Tribunal de Disciplina da Conmebol negou ao Boca Juniors um pedido para ser declarado campeão da Libertadores sem disputar o jogo de volta. O clube pedia os pontos da partida contra o River Plate. O Tribunal de Disciplina decidiu multar o River Plate em US$ 400 mil (cerca de R$ 1,5 milhão) e punir o clube com dois jogos como mandante com portões fechados em 2019. O protesto do River Plate não deu certo e o segundo jogo acabou sendo disputado em Madrid e terminou com uma vitória de 3-1 para o River Plate na prorrogação. Essa foi a quarta conquista da Libertadores dos Millonarios, igualando o também argentino Estudiantes em títulos da competição.

Libertadores 2019

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River Plate e Boca Juniors fizeram o primeiro jogo das semifinais da Libertadores de 2019 no dia 1.º de outubro, no Monumental de Núñez. A partida de volta foi marcada para o dia 22 de outubro, na Bombonera.

O tão aguardado clássico que abriu a semifinal da Libertadores 2019 não teve o equilíbrio de outros tempos. No Monumental de Núñez, o River Plate foi muito superior ao Boca Juniors e abriu boa vantagem a caminho da decisão de Santiago. Borré e Ignacio Fernández, um em cada tempo, fizeram os gols da partida: 2 a 0 - e cabia mais. Logo aos seis minutos, o River teve um pênalti marcado a seu favor com auxílio do VAR. Borré sofreu e converteu, abrindo caminho para a superioridade dos donos da casa. O time de Marcelo Gallardo teve mais a bola, ocupou os espaços no campo de ataque, mas não conseguiu ampliar no primeiro tempo. Além disso, viu o Boca, que abusava dos chutões, criar uma única grande chance, inacreditavelmente perdida por Capaldo, sozinho na área após passe de Ábila. Na volta do intervalo, a pouca inspiração do Boca Juniors continuou, e os dez primeiros minutos foram mornos. Mas a partir disso o que se viu foi um jogo de um time só. Montiel acertou a trave, a defesa quase se complicou em cruzamento de De La Cruz, e o segundo gol do River passou a ser questão de tempo. Em boa jogada de Fernández, Suárez cruzou bem para o meia deslocar Andrada e balançar a rede. O goleiro do Boca ainda foi exigido mais vezes, mas o jogo terminou "só" com o 2 a 0.

Uma Bombonera pulsando apoio ao Boca durante todo o jogo não foi suficiente para levar os donos da casa para a final da Copa Libertadores. Assim como na decisão do ano passado, o River Plate saiu comemorando após o apito final. Como era de se esperar, Boca e River começou tenso. Mesmo jogando na Bombonera, os donos da casa tinham dificuldades de propor o jogo e apostou mais nas bolas áereas. Já o River, por outro lado, parecia satisfeito com a vantagem e por vezes tentou retardar a partida. Os visitantes até criaram e mostraram mais qualidade, mas faltou efetividade e até mesmo vontade de partir para cima do Boca. A pressão do Boca finalmente surtiu efeito e Hurtado abriu o placar aos 34 minutos. O atacante, que entrou na etapa final, completou o cruzamento de Lisandro López, seguido da falha de Zárate. E aí foi um Deus nos acuda. Se o River já fazia cera antes do gol, depois continuou ainda mais. E se o Boca já tentava jogadas pelo alto, quando viu que deu certo, apostou mais ainda nesse estilo. Mas foi só aquela vez. O River Plate segurou a pressão e saiu da Bombonera com a classificação para a grande final e confirmando sua hegemonia contra o maior rival na era Gallardo.

Pesquisa realizada em 2012 pela consultoria Equis em todo o país. Difundida na transmissão oficial "Futebol Para Todos".[8]

Equipe Metropolitana Pampas Patagônia Noroeste Cuyo Mesopotâmia e Chaco Total
Boca Juniors 40,4 % 33,8 % 44,1 % 45,0 % 45,0 % 47,7 % 44,4 % - 17.8 milhões
River Plate 30,1 % 28,5 % 39,8 % 42,6 % 40,7 % 48,0 % 32,0 % - 13.2 milhões
  • O recorde de público do Superclássico anterior à ampliação do Estádio Monumental do River Plate no ano de 2023 é de 69.099 pagantes em final histórica disputada no Estádio Juan Domingo Perón em 22 de dezembro de 1976.[9] e vencida pelo Boca por 1 a 0.[10]
  • Após a reforma do estádio do River Plate em 2023 o recorde de público é de 84.567 torcedores no empate por 1 a 1 em 25 de fevereiro de 2024.[11][12]

Estatísticas

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Alfredo Di Stéfano foi um grande ídolo do River Plate, mas também já esteve no Boca Juniors. Aqui, Di Stéfano (à direita, de terno) como técnico do Boca, comemora com seus jogadores a vitória sobre o River, em 1969
Tipo Competição Partidas Vitórias do Boca Empates Vitórias do River Gols do Boca Gols do River
Liga

nacional

Campeonato Argentino 215 78 65 72 291 275
Copas nacionais Copa Argentina 1 0 1 0 0 0
Copa Competência 3 0 1 2 3 6
Copa Centenário da AFA 2 0 1 1 0 1
Copa Adrián Escobar 1 0 1 0 0 0
Copa Britânica 1 1 0 0 2 0
Supercopa Argentina 1 0 0 1 0 2
Copa da Liga Profissional 7 2 4 1 9 9
Continental (CONMEBOL) Copa Libertadores da América 28 11 8 9 32 26
Copa Sul-Americana 2 0 1 1 0 1
Supercopa Libertadores 2 0 2 0 1 1
Total (partidas oficiais) 263 92 84 87 338 321
Amistosos NP VB E VR BGols RGols
Jogos amistosos 124 46 37 41 162 145
  • Maior artilheiro do Boca Juniors: Paulo Valentim , 10 gols;
  • Maior artilheiro do River Plate: Ángel Labruna, 16 gols;
  • As maiores goleadas deste clássico foram de 5 a 1, a favor do River em seu estádio Monumental de Nuñes em 1941, e 5 a 0 a favor do Boca em seu estádio em 2015;
  • Reinaldo Merlo, do River Plate, é o jogador que mais vezes disputou o Superclasico: 42 jogos entre 1969 e 1984.

Comparativo de títulos

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Abaixo a lista de títulos conquistados por Boca Juniors e River Plate nas competições nacionais e internacionais comuns aos dois clubes ao longo da história.

Tipo Competição Boca Juniors River Plate
Nacional Campeonato Argentino 35 38
Copas nacionais da Argentina 17 16
Internacional Copa Aldao 0 5
Copa Suruga Bank 0 1
Copa de Competência 1 1
Copa de Honor 1 0
Copa Confraternidad 2 0
Continental Copa Libertadores 6 4
Copa Sul-Americana 2 1
Recopa Sul-Americana 4 3
Supercopa Libertadores 1 1
Copa de Ouro Nicolás Leoz 1 0
Copa Master da Supercopa 1 0
Intercontinental Copa Interamericana 0 1
Mundial Copa Intercontinental 3 1
Total: 74 72
Referências
  1. «Todos los números de la historia del Superclásico entre River y Boca». infobae (em espanhol). 26 de novembro de 2017. Consultado em 25 de setembro de 2024 
  2. Clarín, Redacción (24 de agosto de 2013). «Hace 100 años, River le ganó a Boca el primer Superclásico». Clarín (em espanhol). Consultado em 25 de setembro de 2024 
  3. «Los 10 equipos con más hinchas del fútbol argentino según informes». 90min.com (em espanhol). 31 de maio de 2022. Consultado em 12 de maio de 2024 
  4. «Boca Juniors v River Plate» (em inglês). 5 de outubro de 2002. Consultado em 12 de maio de 2024 
  5. Parkinson, Gary (29 de abril de 2016). «Why Boca Juniors vs River Plate is the biggest derby in the world». fourfourtwo.com (em inglês). Consultado em 12 de maio de 2024 
  6. «The 25 biggest club rivalries in world football - where does Real Madrid vs Atletico rank?». The Telegraph (em inglês). 26 de maio de 2016. Consultado em 12 de maio de 2024 
  7. Mewis, Joe (13 de outubro de 2017). «The top 50 derbies in the world 10-1: Find out who tops our countdown». The Mirror (em inglês). Consultado em 12 de maio de 2024 
  8. Média nacional de adhesiones total país Arquivado em 14 de setembro de 2016, no Wayback Machine.. Fútbol Para Todos.
  9. Boca-River, El libro de una final histórica, página disponível em 26 de setembro de 2016
  10. Diário Olé, "Ganamos la final más importante", página editada em 22 de dezembro de 2006 e disponível em 26 de setembro de 2016
  11. La Pagina Millonaria, página editada em 24 de fevereiro de 2024 e disponível em 27 de fevereiro de 2024.
  12. MDZOL - Cuantos espectadores hubo en el River-Boca, página editada em 25 de fevereiro de 2024 e disponível em 27 de março de 2024.